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No início de 2020 ninguém teria sonhado em como vivemos hoje. Nesse momento não podemos usufruir a maioria dos nossos hobbies, devemos encontrar o mínimo de pessoas possível e somos obrigados a cobrir o nariz e a boca com máscaras, esperamos ansiosamente a nossa vez na vacinação e temos que lidar com negacionistas e seus apoiadores.

Se nos perguntassem há um ano como nos sentiríamos a respeito, muitos de nós provavelmente responderiam: Essa vida é insuportável.

Claro, definitivamente, ela não é legal.

Mas a maioria de nós não está constantemente devastado, já aceitamos a situação e encontramos alegria no que ainda é possível ou naquilo que nos resta. Os humanos são ajustáveis biologicamente para se acostumar com estímulos e situações – boas e ruins.

“A verdade é que as coisas ruins não nos afetam tanto quanto poderíamos esperar. O mesmo também se aplica a coisas boas”, uma conclusão do psicólogo americano Daniel Gilbert a partir de vários resultados de pesquisas.

No caso de eventos negativos, nosso “sistema de adaptação psicológica” nos ajuda a encontrar o caminho de volta a uma vida considerada normal, mesmo que completamente diferente da vida normal anterior. Habituamo-nos facilmente, e isso é útil, apesar de assustador.

Se, depois de um rompimento, descobrimos que o parceiro não era a pessoa certa, nossos mecanismos psicológicos de defesa geralmente estão por trás dessa mudança de perspectiva, dessa mudança de ponto de vista. Mas veja algo fundamentalmente importante, foi o ponto de vista subjetivo e não os fatos objetivos que inicialmente fizeram o parceiro parecer com a pessoa dos sonhos.

No entanto, as pessoas dificilmente têm consciência de quanto seu funcionamento interno influencia a realidade percebida. Isso tem sérias consequências para as tomadas de decisões. Esses filtros cognitivos ajudam a acomodar a percepção da realidade e a responder às suas demandas de forma condicionada.

Sobre eventos positivos e negativos, quando somos confrontados com a decisão emocional de se envolver com um novo conhecido, torna-lo o próximo parceiro, baseamos essa decisão em prever se essa pessoa nos fará felizes ou não. No entanto, nós somos ruins em fazer previsões sobre sua felicidade ou infelicidade futura: nós superestimamos o quão infelizes o resultado indesejado do teste de gravidez nos tornará; os alunos superestimam o quanto a saída da casa dos pais afeta sua felicidade; as pessoas superestimam o quão infeliz ficarão dois meses após o rompimento.

Tendemos a construir mais facilmente uma visão negativa do futuro, antevendo inclusive soluções e sofrimentos que nunca acontecerão ou serão desnecessários. Essas previsões erradas podem nos impedir de tomar boas decisões.

Para examinar objetivamente o quão bem as previsões correspondem às mudanças reais na satisfação, os estudos de pesquisa comparam as previsões de um grupo, por exemplo, pessoas em relacionamentos, com as declarações de outros grupos que realmente vivem uma situação particular após um rompimento.

Pesquisadores da Suíça, sempre preocupados com a satisfação e a felicidade, avaliaram dados de longo prazo de mais de 180.000 pessoas. Os dados vêm de pessoas que foram questionadas anualmente sobre sua satisfação geral com a vida e que também foram solicitadas a prever o quão satisfeito estarão em cinco anos.

Os pesquisadores examinaram como eventos de vida de longo alcance, como a perda de um parceiro, desemprego, doença, casamento, separação ou divórcio, afetam a satisfação com a vida. Resultado: um forte efeito pode ser percebido logo após a passagem desses grandes eventos pela vida. Embora as pessoas prevejam corretamente que a mudança não durará, geralmente subestimam sua capacidade de adaptação. Qualquer pessoa que perdesse um parceiro cuja satisfação com a vida fosse alta – ao contrário de suas próprias previsões – três anos depois estava tão bem quanto antes da perda.

O mesmo ocorre com outros eventos significativos, mesmo com paraplegia e vitórias na loteria. Pode-se pensar que isso se deve à nossa falta de experiência com tais eventos. Mas mesmo com eventos diários e recorrentes, como decisões de compra ou feriados de Natal, nossas previsões sobre as consequências são ruins.

Outros fatores desempenham um papel importante nesse processo. Por exemplo, não usamos de forma consciente o suficiente as experiências passadas para avaliar essas previsões do futuro. Eventos menores do passado, como uma briga de família no Natal, fazem parte do desenvolvimento dos arcabouços de experiência que usamos para nos readaptarmos, mas eles não são levados conscientemente em conta durante o processo de fazer previsões. Mas servirão durante o processo real de reconstrução da normalidade, na solução de problemas da realidade.

Gostamos de esquecer que eventos individuais pequenos que raramente ofuscam a vida cotidiana. Claro que você fica feliz quando o seu clube de futebol favorito vence. No dia do jogo, você ainda pode estar irritado com os vizinhos barulhentos ou com a mancha nas calças, mas dificilmente passará o dia inteiro tropeçando nas ruas ou gritando com o vizinho. Os eventos pequenos passam em um grau de quase apercepção no carrossel do dia a dia, mas agregam muita experiência ao nosso repertório.

Outro fator fundamental que não nos atentamos é que a satisfação não pode ser melhorada permanentemente quando olhamos para o mundo externo, simplesmente não podemos fazer os números da conta bancária mudar por conta própria, por exemplo, muito menos mudar o outros e suas atitudes.

De qualquer forma, num outro oposto bastante bom, a satisfação com a vida parece depender menos de circunstâncias externas do que geralmente se pensa. Há numerosos indícios de que nossa satisfação com a vida é, em grande medida, determinada geneticamente, em primeiro lugar, mas também pela educação.

Assim, as primeiras experiências de vida são decisivas e também desempenham um papel significativo nesse processo. A genética cria o campo favorável, enquanto as experiências de vida formam o repertório funcional para a satisfação.

No entanto, apesar de não poder ser melhorada do porto de vida externo, a satisfação é, ainda assim, relativamente estável ao longo da vida. Mesmo que apenas coisas positivas tenham acontecido conosco – um aumento de salário após o outro, um sucesso após o outro, nossas demandas e expectativas aumentam, o que nos leva ao frenesi muito mais cedo na linha da vida, vamos dar tudo como certo em algum ponto da vida. Frustrar-se é, então, fundamental para balancear a satisfação.

Nossa satisfação não pode ser maximizada no longo prazo. Mas o efeito de habituação pode ser prejudicado pela incapacidade de aceitar ou entender as frustrações. Os pesquisadores mostraram que as atividades cotidianas são mais agradáveis ​​quando realizadas de novas maneiras. Por exemplo: comer pipoca com pauzinhos em vez de com as mãos (exemplo tolo, mas esclarecedor). Com essa visão, entende-se facilmente que a mudança, seja causada por eventos positivos ou negativos, vão gerar readaptações cujo resultados pode ser, quase sempre, positivo na linha da vida, pois somos impulsionados a experimentar o novo e assim expandir horizontes.

Frequentemente, apenas reconhecemos nossa adaptabilidade em retrospecto e, em vez disso, esperamos por mudanças externas que nos tornem mais felizes por um curto período de tempo no presente ou no futuro, apenas para ficarmos novamente incomodados/acostumados com coisas novas e mantermos esse ciclo de frustração e desenvolvimento.

Em alguns anos, os dados mostrarão se também estamos superestimando o impacto da pandemia em nossa satisfação. Em qualquer caso, o último Relatório de Felicidade Mundial mostra uma notável estabilidade na satisfação com a vida em 149 países, apesar de Covid-19.

Enquanto isso, podemos tirar proveito das descobertas de outras pesquisas: Não espere pela próxima abertura ou pelo próximo Lockdown. Concentre-se em áreas da vida que não são afetadas pela pandemia – elas definitivamente existem. Procurando por algo novo no familiar, no cotidiano, no dia-a-dia. Pense não apenas em nosso sistema imunológico físico, mas também no seu psicológico.

A Psicóloga Jaqueline Puquevis de Souza dá algumas dicas na sua entrevista no Conversas Sem Domínio.

Raul de Freitas Buchi

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